Páginas

10 de novembro de 2011



Olá amigos!

Há 9 anos, no dia 30 de Junho de 2002, nosso querido
 Chico Xavier retornava ao Plano Espiritual. Relembrando esta data, trago para vocês uma breve descrição do que ocorreu ‘do outro lado da vida’ (paralelamente ao velório, no plano físico): uma merecida recepção a esse maravilhoso médium, que tanto fez pela Doutrina Espírita e por todos nós... Que todos nós possamos aproveitar para refletir...

(Esta descrição foi realizada pelo Espírito
 Inácio Ferreira, e está presente no livro “Na Próxima Dimensão”, psicografado pelo médium Carlos Alberto Baccelli.)




*** *** ***



(...) No Mundo Espiritual, nosso irmão Lilito Chaves veio ao nosso encontro e anunciou o que, desde algum tem­po, aguardávamos com expectativa: a desencarnação do médium Francisco Cândido Xavier, o nosso estimado Chico. O acontecimento nos impunha rápidas mudan­ças de planos, impro­visamos uma excursão à Crosta para saudar aquele que, após cumprir com êxito a sua missão, retornava à Pátria de origem.

Assim, sem maiores delongas, Odilon, Paulino e eu, juntando-nos a uma plêiade de companheiros uberabenses desencarnados, rumamos para Uberaba no começo da noite daquele domingo, dia 30 de junho.

A caminho, impressionava-nos o número de grupos espirituais, procedentes de localidades diversas, do Brasil e do Exterior, que se movimentavam com a mesma finalidade.

Todos estávamos profundamente emocionados e, mais comovidos ficamos quando, esta­cionando nas vizinhanças do “Grupo Espírita da Pre­ce”, onde estava sendo realizado o velório, com o corpo exposto à visitação pública, observamos uma
 faixa de luz resplandecente, que, pairando sobre a humilde casa de trabalho do médium, a ligava às Esferas Superiores, às quais não tínhamos acesso.

Conversando conosco, Odilon observou:

— Embora, evidentemente, já desligado do corpo, nosso Chico, em espírito, ainda não se ausentou da at­mosfera terrestre; os Benfeitores Espirituais que, duran­te
 75 anos, com ele serviram à Causa do Evangelho, estarão, com certeza, à espera de ordens superiores para conduzi-lo a Região Mais Alta... De nossa parte, permaneçamos em oração, buscando reter conosco as lições deste raro momento.

Aproximando-nos quanto possível, notamos a for­mação de duas filas imensas, constituídas de irmãos en­carnados e desencarnados, que reverenciavam o companheiro recém-liberto do jugo opressor da matéria: eram espíritos, no corpo e fora dele, extremamente gratos a tudo que haviam recebido de suas mãos, a vida inteira dedicadas à Caridade, nas mais fiel vivência do “amai­-vos uns aos outros”. Mães e pais que, por ele haviam sido consolados em suas dores; filhos e filhas que pude­ram reatar o diálogo com os genitores saudosos, escre­vendo-lhes comoventes páginas do Outro Lado da Vida; famílias desvalidas com as quais repartira o pão; doen­tes que confortara agonizantes em seus leitos; religiosos de todas as crenças que, respeitosos, lhe agradeciam o esforço sobre-humano em prol da fé na imortalidade da alma...

Não registramos nas imediações, é bom que se diga, um só espírito que ousasse se aproximar com intenções infelizes. Os pensamentos de gratidão e as preces que lhe eram endereçadas, formavam um halo de luz protetor que tudo iluminava num raio de cinco quilômetros; po­rém essa luz amarelo-brilhante contrastava com a
 faixa de luz azulínea que se perdia entre as estrelas no firmamento.

A cena era grandiosa demais para ser descrita e desafiaria a inspiração do mais exímio gênio da pintura que tentasse retratá-la. Uma música suave, cujos acor­des eu desconhecia, ecoava entre nós, sem que pudés­semos identificar de onde provinha, como se invisível coral de vozes infantis, volitando no espaço, tivesse sido treinado para aquela hora.

Espíritos mais simples que passavam rente comen­tavam:

— “Este é um dos últimos... Não sabemos quando a Terra será beneficiada novamente por um espírito de tal envergadura”; “Este, de fato, procurava viver o que pregava” “Quem nos valerá agora?”; “Durante muitos anos, ele matou a fome da minha família... “Lembro-me de que, certa vez, desesperado, com a idéia de suicí­dio na cabeça, eu o procurei e a minha vida mudou”; “Os seus livros me inspiraram a ser o que fui, livrando-me de uma existência medíocre”; “Quando minha avó morreu, foi ele quem pagou seu enterro, pois, à época, éramos totalmente desprovidos de recursos”; “Fundei minha casa espírita sob a orientação de Chico Xavier, que recebeu para mim uma mensagem de incentivo e de apoio”; “Comigo, foi diferente: eu estava doente, de­senganado pela Medicina, ele me receitou um remédio de Homeopatia e fiquei bom”...

Os caravaneiros não cessavam de chegar, todos portando flâmulas e faixas com dizeres luminosos; creio sinceramente que,
 em nosso Plano, jamais houve uma recepção semelhante a um espírito que tivesse deixado o corpo, após finda a sua tarefa no mundo; com exceção do Cristo e de um ou outro luminar da Espiritualidade, ninguém houvera feito jus ao aparato espiritual que se organizara em torno do desenlace de Chico Xavier.

Com dificuldade, logrando adentrar o recinto do “Grupo Espírita da Prece”, reparamos que uma comis­são de nobres espíritos, dispostos em semicírculo, todos trajando vestes luminescentes, permanecia, quanto nós mesmos, em expectativa. Odilon sussurrou-me ao ouvi­do:

— Inácio, estas são as entidades que trabalharam com ele na chamada “Coleção de André Luiz”; são os Mentores das obras que o nosso André reportou para o mundo, no desdobramento do Pentateuco Kardeciano:Clarêncio,
 Aniceto, Calderaro, Áulus e tantos outros...

E aqueles que estão imediatamente atrás? — inda­guei.

— São alguns representantes da família do mé­dium e amigos fiéis de longa data.

— E onde estão
 Emmanuel, nosso Dr. Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo? Porventura, ainda não chegaram?...

— Devem estar — respondeu — cuidando da organi­zação...

Ao lado do seu corpo inerte, nosso Chico, segundo a visão que tive, me parecia uma criança ressonando, tranqüila, no colo de um anjo transfigurado em mulher, fazendo-me recordar, de imediato, a imagem de “Pietà”, a famosa escultura de Michelangelo.

— Quem é ela? — perguntei.

— Trata-se de D. Cidália, a sua segunda mãe...

— E D. Maria João de Deus?...

— Ao que estou informado — esclareceu Odilon —, encontra-se reencarnada no seio da própria família.

— E seu pai, o Sr. João Cândido?

— Está em processo de reencarnação, seguindo os passos da primeira esposa.

Adiantando-se, nosso Lilito indagou:

— Odilon, na sua opinião, por que o Chico está parecendo uma criança?

— Ele necessita se refazer, pois o seu desgaste, como não ignoramos, foi muito grande, mormente nos últimos anos da vida física; nosso Chico carece de se desligar completamente...

— Perderá, no entanto, a consciência de si?

— É evidente que não. O seu verdadeiro despertar acontecerá gradativamente, à medida em que se recupe­re da luta sem tréguas que travou... Aliás, a Espiritualidade Superior, nos últimos três anos, vinha trabalhando para que a sua transição ocorresse sem traumas, tanto para a imensa família espírita, que o venera, quanto para ele próprio.

Inúmeras caravanas e representações continuavam chegando, formando extensas filas, que se postavam paralelas às filas organizadas pelos nossos irmãos encar­nados, a comparecerem ao velório para render a Chico Xavier merecidas homenagens.

Dezenas e dezenas de jovens formavam grupos especiais que vinham recebê-lo no limiar da Nova Vida, gratos por ter sido ele o seu instrumento de consolo aos familiares na Terra, quando se viram compelidos à desencarnação...

A tarefa de Chico Xavier — explicou Odilon, emocionado — não tem fronteiras; raras vezes, a Espiritualidade conseguiu tamanho êxito no campo do intercâmbio mediúnico... No entanto a força que o sus­tentava nas dificuldades vinha de Cima, pois, caso con­trário, teria sucumbido às pressões daqueles que, encar­nados e desencarnados, se opõem ao Evangelho. Chico, por assim dizer, ocultou-se espiritualmente em um cor­po franzino e deu início ao seu trabalho, sem que praticamente ninguém lhe desse crédito; quando as trevas o perceberam, já havia atravessado a faixa dos vinte de idade e em franco labor, tendo pronto o “Parnaso de Além-Túmulo”, a obra inicial de sua profícua e excelen­te atividade psicográfica...

Estávamos todos profundamente emocionados. A multidão, dos Dois Lados da Vida, não parava de cres­cer e, assim como no Plano Físico os policiais cuida­vam da organização, na Dimensão Espiritual em que nos situávamos, Entidades diversas haviam sido encar­regadas de disciplinar a intensa movimentação, sem que nenhum de nós se sentisse encorajado a reclamar qual­quer privilégio com o propósito de uma maior aproxi­mação. Quase todos nos conservávamos em atitude de profundo silêncio e de reverência.

Os grupos de espíritos que haviam, ao longo de seus
 75 anos de labor, trabalhado com o médium, com exceção, evidentemente, daqueles que já haviam reencarnado, se faziam representar pelos seus maiores expoentes no campo da Poesia e da Literatura.

Próxi­mas a Cidália, em cujos braços Chico Xavier descansava, à espera de que o cortejo fúnebre partisse conduzin­do os seus restos mortais, notei a presença de algumas entidades femininas que eu não soube identificar.

— Quem são? — perguntei a Odilon, que era um dos poucos dentre nós com plena liberdade de movi­mentar-se.

— Aquelas quatro primeiras, são as nossas irmãs
 Meimei, Maria Dolores,Scheilla e Auta de Souza; as demais são corações maternos agradecidos que, em uma ou outra oportunidade, se expressaram pela mediunidade psicográfica do nosso Chico.

— Quem estará na coordenação do evento? — in­sisti, ansioso por maiores esclarecimentos.

— O
 Dr. Bezerra de Menezes e Emmanuel, asses­sorados diretamente por José Xavier — respondeu.

— José Xavier?...

— Sim, o irmão do médium, que está conduzindo um grupo de espíritos amigos de Pedro Leopoldo e re­gião; quando Chico se transferiu para a cidade de Uberaba, em 1959, os seus vínculos afetivos com a sua terra natal não se desfizeram; os espíritas que constituí­ram o Centro Espírita “Luiz Gonzaga” sempre se senti­ram membros de uma única família.

— E aquele casal mais próximo que, de quando a quando, dialoga com Cidália?

— José Hermínio e D. Carmem Perácio; foram eles que iniciaram Chíco Xavier no conhecimento da Doutrina Espírita, doando-lhe exemplares de “O Livro dos Espíritos” e de “O Evangelho Segundo o Espiritis­mo”...

Pude perceber, com clareza, que os
 filamentos perispirituais que uniam o espírito recém-desencarnado ao corpo enrijecido, se enfraqueciam gradualmente; sem dúvida, o médium, assim que se lhe cerraram os olhos físicos, desprendeu-se da forma material, no entanto, devido à necessidade de permanecer durante 48 horas exposto à visitação pública, conforme era seu desejo, exigia que o corpo, de certa forma, continuasse a rece­ber suplementos de princípio vital, evitando-se os cons­trangimentos da cadaverização. Embora aconchegado aos braços daquela que havia sido na Terra a sua segun­da mãe e grande benfeitora, o espírito Chico guardava relativa consciência de tudo...

As expectativas de quase todos, porém, se concen­travam sobre aquelafaixa de luz
 azulínea, a qual, à medida que se abeirava a hora do sepultamento, se in­tensificava; tínhamos a impressão de que aquele cami­nho iluminado era a passagem para uma Dimensão Des­conhecida, para a qual, com certeza, Chico Xavier ha­veria de ser conduzido.



CONTINUA...

6 de outubro de 2011

Aliança da Ciência e da Religião:isto é possível?
O progresso da Humanidade constitui um dos princípios do Espiritismo. Todos os Espíritos, afirmam os imortais, chegarão um dia à perfeição, informação da mais alta importância que podemos colher nas questões seguintes d’ O Livro dos Espíritos, principal obra da Codificação Kardequiana: 116. Haverá Espíritos que se conservem eternamente nas ordens inferiores? "Não; todos se tornarão perfeitos. Mudam de ordem, mas demoradamente, porquanto, como já doutra vez dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir seus filhos para sempre. Pretenderias que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?" 117. Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição? "Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra recalcitrante?" 118. Podem os Espíritos degenerar? "Não; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda." Como a Humanidade é constituída dos Espíritos encarnados, progredindo estes ela também progride e, da mesma forma que os Espíritos não podem degenerar, ela segue sempre para a frente, num curso evolutivo que um dia determina a modificação do próprio orbe que habita, motivo pelo qual Jesus declarou que os mansos herdariam a Terra e, quando o final dos tempos chegar, o Evangelho será ensinado em todos os lugares. Foi a ignorância do homem e a sua incompreensão dos reais valores da vida que fizeram com que a Ciência e a Religião jamais se entendessem. Com o advento das luzes, é evidente que ambas – a Ciência e a Religião – se darão as mãos, não mais estarão em campos opostos e, unidas pelo mesmo ideal, determinarão na sociedade terráquea transformações que não temos a capacidade de prever. Essa é a tese espírita, exposta magistralmente por Allan Kardec no texto que se segue, constante do cap. 1, item 8, d’ O Evangelho segundo o Espiritismo: "A Ciência e a Religião são os dois instrumentos da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral; mas comoambas têm o mesmo princípio, que é Deus, não se podem contradizer. Se uma fosse a negação da outra, necessariamente que uma estaria fora da razão e a outra com ela, pois Deus não viria destruir a sua própria obra. A incompatibilidade que se supôs haver entre essas duas ordens de leis proveio da falta de observação e do grande exclusivismo de cada uma das partes. Daí, o conflito que gerou a incredulidade e a ignorância. São chegados os tempos em que os ensinos do Cristo devem ter a sua execução, em que o véu propositadamente lançado sobre alguns pontos desses ensinos deve ser erguido, em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual, e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, reconheça que estas duas forças se amparam uma à outra e seguem harmonicamente, prestando-se mútuo auxílio. A Religião, já não sendo mais desmentida pela Ciência, adquirirá então uma força invulnerável, porque estará de acordo com a razão, e terá a seu favor a irresistível lógica dos fatos."

As descobertas científicas só glorificam o Criador

Falando a respeito do caráter da revelação espírita, em A Gênese, cap. I, item 55, Kardec afirma que a doutrina espírita, por apoiar-se em fatos, tem de ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua própria substância, ela se alia à Ciência, que, sendo a exposição das leis da Natureza, não pode ser contrária às leis de Deus, que é o autor delas. "As descobertas que a Ciência realiza – observa Kardec –, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus." Na mesma obra e no mesmo capítulo, adverte Kardec que o Espiritismo não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado ou o que ressalta logicamente da observação. Por esse motivo, entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio de suas próprias descobertas, o Espiritismo "assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria". Reconhecendo a progressividade do conhecimento e o papel que a Ciência representa no processo evolutivo da Humanidade, Kardec escreveu, então, estas sábias palavras que devem nortear os passos de todos nós que estamos envolvidos no estudo e na divulgação da doutrina espírita: "Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará." (A Gênese, cap. I, item 55.) O Espiritismo, como sabem todas as pessoas que já se iniciaram em seu estudo, não se baseia em dogmas. Seus princípios fundamentais não são obra de concílios ou fruto de teses acadêmicas. Resultam de fatos que se inscrevem nas próprias leis de Deus: a existência da alma, a imortalidade, o progresso constante, a pluralidade das existências, a multiplicidade dos mundos habitados, a lei de causa e efeito, as relações entre encarnados e desencarnados. É por todos esses motivos que o Espiritismo talvez seja, no mundo em que vivemos, a única religião que não teme as investigações científicas nem se furta à discussão de seus princípios em congressos e simpósios promovidos por instituições ou indivíduos sérios.
O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita


Obra de Francisco Cândido Xavier
antecipa a Ciência
Em um estudo publicado nas págs. 27 a 34 da edição número 136-C da revistaPlaneta, toda ela dedicada à vida e à obra de Chico Xavier, o confrade Hernani Guimarães Andrade (foto) mostra que inúmeras informações científicas transmitidas pelos Espíritos por intermédio de Chico Xavier e consideradas inicialmente mirabolantes, ridículas ou até ingênuas têm sido em nossos dias cogitadas e mesmo confirmadas pela Ciência moderna.
Hernani lembra que, a partir da formulação da Teoria dos Quanta por Max Planck e da Teoria da Relatividade por Albert Einstein, a Física vem sofrendo profundas transformações, cujo resultado inicial "foi a desentronização do pensamento mecanicista positivista e a introdução de novas concepções que, em muitos aspectos, tocam as fronteiras da metafísica".
Em seu artigo, faz ele diversas correlações entre ensinamentos colhidos na obra de André Luiz (Espírito) e textos firmados por cientistas de nossa época, como o neurocirurgião Karl Pribam, de Stanford, e os físicos David Bohm, Fritjof Capra e Jean E. Charon, os quais revelam que em muitos e variados pontos a obra psicografada por Chico Xavier tem-se antecipado à Ciência.
Duas das informações apontadas por Hernani Guimarães Andrade merecem lembradas:
1) No cap. III do livro Evolução em Dois Mundos, no subcapítulo "Primórdios da Vida", André Luiz diz ao pé da página que na esfera espiritual o elétron (ou eletrão, como ele prefere grafar) "é também partícula atômica dissociável". Como o livro é de 1958, é difícil imaginar que o médium tivesse conhecimento dos trabalhos de Física teórica desenvolvidos por Gell-Mann, que obteve 11 anos depois, portanto em 1969, o Prêmio Nobel por seus trabalhos em que se refere aos quarks, componentes das partículas subatômicas.
2) No cap. 9 de E a Vida Continua..., obra psicografada em 1968, o Instrutor Cláudio diz à irmã Evelina que qualquer aprendiz de ciência elementar, na Terra, não desconhece que a chamada matéria densa não é senão a energia radiante condensada e que um dia o homem saberá "que a matéria é luz coagulada, substância divina, que nos sugere a onipresença de Deus".
Esta antecipação - destaca Hernani Guimarães Andrade - é impressionante, porque somente os físicos bem avançados é que estão chegando agora a semelhantes conclusões, como Bob Toben registra nas págs. 46 e 47 de seu livroSpace Time and Beyond: "A matéria não é senão luz (energia) capturada gravitacionalmente". Em 1968, quando a expressão luz coagulada foi publicada, poucos físicos tê-la-iam levado a sério e muitos poderiam até mesmo valer-se da Física para contestá-la, o que constitui uma prova insofismável da progressividade da Ciência, que a Religião não pode deixar de acompanhar.
Os avanços da Ciência
aproximam-na da Religião
Os sinais da aproximação entre Ciência e Religião são muito claros e basta repassar o que tem sido publicado nas revistas científicas para ver que um volume expressivo de pesquisas e trabalhos em diferentes setores da Ciência tem abonado idéias e valores geralmente vinculados à Religião ou por esta defendidos.
Eis, a seguir, pequena amostra desses trabalhos, todos eles publicados pela grande imprensa nos últimos dez anos, conforme indicam as referências apostas no final de cada tópico:
1) Estudo realizado com 232 pacientes operados do coração na Dartmounth Medical School mostrou um percentual de cura dos pacientes religiosos três vezes superior ao dos que não manifestavam interesse pela religião. Outra pesquisa, realizada no North Carolina Hospital, demonstrou que a depressão e as doenças físicas têm incidência menor em pessoas que freqüentam regularmente a igreja.(Fevereiro/1997.)
2) O afeto, o carinho, o toque no bebê pode programar psicologicamente seu cérebro para responder ao estresse de sua vida futura. Quem o diz são cientistas da Universidade Mc-Gill, de Montreal, Canadá. (Outubro/1997.)
3) Pesquisa realizada com 50 estudantes de Direito dos Estados Unidos, conduzida por Suzanne Segerstrom, da Universidade de Kentucky, revela que o otimismo pode fortalecer o sistema imunológico ou, pelo menos, reduzir os efeitos do estresse. (Julho/1998.)
4) A principal causa de agressividade das crianças, segundo o pesquisador americano Robert Blum, da Universidade de Minnesota, é a falta de amor. Blum baseia essa conclusão numa pesquisa feita com doze mil meninos, a pedido da Clínica Mayo, e é apoiado pelos psicanalistas Fritz Redl e David Wineman.(Junho/1999.)
5) O neurocientista americano Gerald Eldman, Prêmio Nobel de imunobiologia em 1972, diz que o comportamento violento dos adolescentes criminosos resulta de suas vivências quando bebê e até mesmo quando eram simples feto. Segundo ele, tais vivências ficam arquivadas no corpo como uma memória inconsciente que vai atuar pelo resto da vida do indivíduo. (Dezembro/1999.)
6) Pesquisa realizada pela Universidade do Texas (EUA) revela que as pessoas que praticam uma religião apresentam melhores condições de saúde. Vários são os motivos: os fiéis tendem a afastar-se das drogas e das atividades que põem em risco a saúde e têm uma maior auto-estima e um círculo de amizades com o qual possuem afinidades, o que, segundo o estudo, ajuda a prevenir doenças de fundo emocional. (Janeiro/2000.)
7) Trabalho realizado pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, afirma que os que se irritam intensamente e com freqüência têm três vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que os indivíduos calmos. Segundo Janice Williams, a influência do mau humor no desencadeamento de doenças cardiovasculares é comparável à obesidade, ao tabagismo e ao sedentarismo. (Junho/2000.)
8) Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas em Saúde, dos Estados Unidos, a fé faz bem ao espírito e ao corpo e pode até mesmo prolongar a vida das pessoas. Os indivíduos que cultivam uma religião vivem mais que os descrentes, porque a fé favorece um comportamento mais saudável, em que a tendência ao tabagismo, às drogas e à promiscuidade sexual é sensivelmente menor.(Julho/2000.)
9) Estudo elaborado pela Universidade de Emory (Estados Unidos) diz que abusos físicos ou sexuais sofridos na infância, por alterarem a composição química do cérebro das mulheres, as tornam mais vulneráveis à ansiedade e às tensões emocionais quando adultas. O trauma psicológico sofrido na infância, diz o dr. Charles Nemeroff, faz com que o hormônio que regula a resposta do organismo à tensão emocional se torne hipersensitivo, fato que comprova uma tese antiga segundo a qual um bom ambiente familiar durante os primeiros anos da infância produz excelentes resultados a longo prazo. (Setembro/2000.)



O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita
 

13 de setembro de 2011


Não separar o que
Deus juntou

O Evangelho de Mateus, capítulo  19, versículos 3 a 9, registra que os Fariseus aproximaram-se de Jesus, e, tentando-o, perguntaram-lhe se é porventura lícito a um homem repudiar a sua mulher por qualquer motivo.

Jesus observou que no princípio Deus os fez macho e fêmea e que, portanto, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne e que, por isso, não separe o homem o que Deus juntou.  

Os fariseus, então,  voltaram a perguntar por que mandou Moisés dar o homem à sua mulher carta de desquite e repudiá-la.

Jesus  explicou  que Moisés agiu desta maneira  pela dureza dos corações,  mas no princípio não foi assim. 

Compreendamos que além da união dos sexos deve haver a união de almas,  a afinidade espiritual, o cumprimento da lei do Amor, quando os dois “farão uma só carne”. Aí, então, justifica-se a recomendação de Jesus: “Não separeis o que Deus juntou”.

Mas, como fazer, se a harmonia que deveria reinar não acontece entre um casal? É neste sentido que Allan Kardec, na questão 940 de O Livro dos Espíritos, indaga:

A falta de simpatia entre os seres destinados a viver juntos não é igualmente uma fonte de sofrimentos, tanto mais amarga quanto envenena toda a existência?

A resposta dos Espíritos:

Muito amarga, de fato; mas é uma dessas infelicidades de que, na maioria das vezes, sois a primeira causa. Em primeiro lugar, as vossas leis são erradas, pois acreditais que Deus vos obriga a viver com aqueles que vos desagradam? Depois, nessas uniões procurais quase sempre mais a satisfação do vosso orgulho e da vossa ambição do que a felicidade de uma afeição mútua. E sofreis, então, a consequência dos vossos preconceitos.

É aí que vem o divórcio, “uma lei humana que tem por objeto separar legalmente o que já estava separado de fato. Não é contrário à lei de Deus, pois só reforma o que os homens fizeram, e só tem aplicação nos casos em que a lei divina não foi considerada”. (O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXII, item 5.)

Mas atentemos bem o que recomenda Emmanuel, no capítulo sobre o divórcio do livro Vida e sexo. Explica o benfeitor espiritual que  partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio, a rigor, não deve ser facilitado entre as criaturas”.
Na maioria das vezes, as desuniões acontecem principalmente por falta de diálogo. Lembra-nos o procedimento daquele advogado de família, espírita, que quando um casal o procurava para realizar a separação, ele, antes de qualquer coisa, reunia o casal e fazia uma preleção de dez minutos, onde falava sobre a importância da união do casal perante os filhos, a família, a sociedade etc., e depois perguntava se eles queriam, realmente, se separar. O casal se propunha  a colocar em prática, durante uma semana, todas as recomendações do profissional. O certo é que nenhum dos casais voltava para realizar o divórcio, sinal de que o que faltava era, principalmente, o diálogo, que sempre conduz à compreensão.

André Luiz, na obra Ação e reação (FEB), enfatiza que “o divórcio não soluciona o problema da redenção, porque ninguém se reúne no casamento humano ou nos empreendimentos de elevação espiritual, no mundo, sem o vínculo do passado, e esse vínculo, quase sempre, significa débito do Espírito ou compromisso vivo e delongado no tempo. O homem ou a mulher, desse modo, podem provocar o divórcio e obtê-lo, como sendo o menor dos piores males que lhes possa acontecer... Ainda assim não se liberam da dívida em que se acham incursos, cabendo-lhes voltar ao pagamento respectivo, tão logo seja oportuno”.

22 de julho de 2011


Felicidade que a prece proporciona



23. Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes acorrem a vos anunciar grandes coisas. Deus, meus filhos, abre os seus tesouros, para vos outorgar todos os beneficios. Homens incrédulos! Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma ao arrependimento e à prece! A prece! ah! como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Para vós, já não há mistérios; eles se vos desvendam. Apóstolos do pensamento, é para vós a vida. Vossa alma se desprende da matéria e rola por esses mundos infinitos e etéreos, que os pobres humanos desconhecem.
Avançai, avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Já não são o ruído confuso e os sons estrídulos da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos vossos bosques. Por entre que delícias não caminhareis! A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe. Dulçurosas vozes, inebriantes perfumes, que a alma ouve e aspira, quando se lança a essas esferas desconhecidas e habitadas pela prece! Sem mescla de desejos carnais, são divinas todas as aspirações. Também vós, orai como o Cristo, levando a sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Carregai a vossa cruz e sentireis as doces emoções que lhe perpassavam nalma, se bem que vergado ao peso de um madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial na morada de seu Pai. - Santo Agostinho. (Paris, 1861.)

28 de junho de 2011







1E depois que veio para onde estava a gente, chegou a ele um homem que, posto de joelhos, lhe dizia: Senhor, tem compaixão de meu filho, que é lunático e padece muito; porque muitas vezes cai no fogo, e muitas na água. E tenho-o apresentado a teus discípulos, e eles o não puderam curar. E respondendo Jesus, disse: Ó geração incrédula e perversa, até quando hei de estar convosco, até quando vos hei de sofrer? Trazei-mo cá. E Jesus o abençoou, e saiu dele o demônio, e desde àquela hora ficou o moço curado. Então se chegarão os discípulos a Jesus em particular e lhe disseram: Por que não pudemos nós lançá-lo fora? Jesus lhes disse: Por causa da vossa pouca fé. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar, e nada vos será impossível. (Mateus, XVII: 14-19).

2 – É certo que, no bom sentido, a confiança nas próprias forças torna-nos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer quando duvidamos de nós mesmos. Mas, então, é somente no seu sentido moral que devemos entender estas palavras. As montanhas que a fé transporta são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em uma palavra, que encontramos entre os homens, mesmo quando se trata das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo, as paixões orgulhosas, são outras tantas montanhas que atravancam o caminho dos que trabalham para o progresso da humanidade. A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater; ela nem sequer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade de vitória.

3 – Noutra acepção, considera-se fé a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo. Nesse caso, ela confere uma espécie de lucidez, que faz antever pelo pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança, por assim dizer, infalivelmente. Num e outro caso, ela pode fazer que se realizem grandes coisas

A fé e verdadeira é sempre calma. Confere a paciência que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao fim. A fé insegura sente a sua própria fraqueza, e quando estimulada pelo interesse torna-se furiosa e acredita poder suprir a força com a violência. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, enquanto a violência, pelo contrário, é prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo.

4 – Necessário guardar-se de confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se alia à humildade. Aquele que a possui deposita a sua confiança em Deus, mais do quem em si mesmo, pois sabe que, simples instrumento da vontade de Deus, nada pode sem Ele. E por isso que os Bons Espíritos vêm em seu auxílio. A presunção é menos fé do que orgulho, e o orgulho é sempre castigado cedo ou tarde, pela decepção e os malogros que lhes são infligidos.

5 – O poder da fé tem aplicação direta e especial na ação magnética. Graças a ela, o homem age sobre o fluído, agente universal, modifica-lhe a qualidade e lhe dá impulso por assim dizer irresistível. Eis porque aquele que alia, a um grande poder fluídico normal, uma fé ardente, pode operar, unicamente pela sua vontade dirigida para o bem, esses estranhos fenômenos de cura e de outra natureza, que antigamente eram considerados prodígios, e que entretanto não passam de conseqüências de uma lei natural. Essa a razão porque Jesus disse aos seus apóstolos: Se não conseguistes curar, foi por causa de vossa pouca fé.

17 de maio de 2011

Porta Estreita

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Simbologia e Texto Evangélico: 2.1. Simbologia da Porta; 2.2. Metáfora da Viagem; 2.3. O Texto Evangélico. 3. Planejamento da Reencarnação: 3.1. Os Pedidos; 3.2. Comentário de Emmanuel; 3.3. O Compromisso Assumido. 4. Porta Larga Versus Porta Estreita: 4.1. Caracterização da Porta Larga; 4.2. Caracterização da Porta Estreita; 4.3. A Sugestão do Irmão X. 5. Conclusão. 6. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

Qual o significado de porta? E sua simbologia nas diversas religiões? A porta estreita refere-se à nossa salvação? O que Jesus realmente quis dizer com o termo "porta estreita"?

2. SIMBOLOGIA E TEXTO EVANGÉLICO

2.1. SIMBOLOGIA DA PORTA

A porta simboliza o local de passagem entre dois estados, entre dois mundos, entre o conhecido e o desconhecido, a luz e as trevas, o tesouro e a pobreza extrema.

A porta não só se abre; convida-nos a transpô-la, passar do domínio do profano para o domínio do sagrado. Há diversos tipos de portas: as portas das catedrais, os torana hindus, as portas dos templos ou das cidades Khmers, os torii japoneses etc.

Nas tradições judaicas e cristãs, a importância da porta é imensa, porquanto é ela que dá acesso à revelação.

Se Cristo em glória é representado no alto dos frontispícios das catedrais, é porque ele próprio é, de acordo com o mistério da Redenção, a porta pela qual se chega ao Reino dos Céus: Eu sou a porta, quem entrar por Mim, será salvo (João, 10,9).

No sentido escatológico, é a possibilidade de acesso a uma realidade superior. (Dicionário de Símbolos)

2.2. METÁFORA DA VIAGEM

Quando nos predispomos a viajar para um país vizinho, levamos conosco somente o necessário: roupas, calçados e um pouco de dinheiro. E mesmo que quiséssemos levar muita coisa em nossa bagagem, poderíamos ser impedidos, no aeroporto, por excesso de peso.

E se estivéssemos empreendendo uma viagem para o outro lado da vida? O que deveríamos levar? Somente aquilo que fosse possível de ser passado pela porta estreita. O resto teria de ficar aqui. Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ao tratar da propriedade diz que a verdadeira propriedade não é o dinheiro e os bens materiais, que ficam aqui, mas o desenvolvimento da inteligência, os conhecimentos morais e o bem que tivermos praticado em prol do nosso próximo. Estes são os tesouros que nenhum ladrão nos roubará.

2.3. TEXTO EVANGÉLICO

"Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela entram. - Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o caminho que a ela conduz! e quão poucos a encontram." (Mateus, 7, 13 e 14.)

"Tendo-lhe alguém feito esta pergunta: Senhor, serão poucos os que se salvam? Respondeu-lhes ele: - Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos asseguro que muitos procurarão transpô-la e não o poderão. - E quando o pai de família houver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos; ele vos responderá: não sei donde sois: - Por-vos-eis a dizer: Comemos e bebemos na tua presença e nos instruíste nas nossas praças públicas. - Ele vos responderá: Não sei donde sois; afastai-vos de mim, todos vós que praticais a iniqüidade. Então, haverá prantos e ranger de dentes, quando virdes que Abraão, Isaac, Jacob e todos os profetas estão no reino de Deus e que vós outros sois dele expelidos. -Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Setentrião e do Meio-Dia, que participarão do festim no reino de Deus. - Então, os que forem últimos serão os primeiros e os que forem primeiros serão os últimos". (Lucas, 13, 23 a 30.)

3. PLANEJAMENTO DA REENCARNAÇÃO

3.1. OS PEDIDOS

Antes de virmos a este mundo, pedimos aos bons Espíritos a "porta estreita", a fim de aproveitarmos a oportunidade de evolução espiritual. Queremos vir com defeitos no corpo, impossibilidades mil, a fim de que estejamos aptos ao trabalho de ressarcimento de débitos passados como também a nossa preparação para o que há de vir.

3.2. COMENTÁRIO DE EMMANUEL

O Espírito Emmanuel assim se expressa: "Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos". (Xavier, 1972, cap. 20)

Estando encarnado, porém, volta a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidões, esquecendo-se de todos os compromissos assumidos.

3.3. O COMPROMISSO ASSUMIDO

O Espírito irmão X, no capítulo 15 de Estante da Vida, narra-nos as provações pedidas por Alberto Nogueira, no sentido de reparar a sua posição de Espírito delinqüente.

Em resumo, ele diz: rogo a vossa permissão para tornar ao campo terrestre a fim de resgatar as minhas faltas. Conceda-me a lepra, o abandono dos entes queridos, a extrema penúria, a loucura ou cegueira, os calvários morais e os tormentos físicos de qualquer natureza...

Eis o despacho da autoridade superior:

"O Senhor pede misericórdia, não sacrifício. O interessado resgatará os próprios débitos, em vida normal, com as tarefas naturais de um lar humano e de uma família, em cujo seio encontrará os contratempos justos e educativos para qualquer criatura com necessidades de reequilíbrio e aprimoramento, mas, por mercê do Senhor, será médium espírita, com a obrigação de dar, pelo menos, oito horas de serviço gratuito por semana, em favor de necessitados na Terra, consolando-os e instruindo-os, na condição de instrumento dos Bons Espíritos que operam a transformação do mundo, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo..."

Certo dia houve necessidade dos mentores espirituais procurarem Alberto para resolver um problema espiritual de uma mãe e sua filha. Estas foram ao Centro no qual ele deveria estar trabalhando, e não o encontraram; depois, foram à sua casa. Alberto Nogueira simplesmente esquiva-se do assunto, como se nada tivesse a ver com a dificuldade.

"Aquele espírito valoroso que pedira lepra, cegueira, loucura, idiotia, fogo, lágrimas, penúria e abandono, a fim de desagravar a própria consciência, no plano físico, depois de acomodar-se nas concessões do Senhor, esquecera todas as necessidades que lhe caracterizavam a obra de reajuste e preferia a ociosidade, enquadrado em pijama, com medo de trabalhar". (Xavier, 1974)

4. PORTA LARGA VERSUS PORTA ESTREITA

4.1. CARACTERIZAÇÃO DA PORTA LARGA

Em geral, tudo aquilo que desvia as nossas ações dos fins mais elevados da vida e dos compromissos assumidos.

  • Vícios materiais e morais.

  • Festas mundanas, os prazeres e o sexo desenfreado.

  • Enganar os outros para auferir lucro financeiro.

4.2. CARACTERIZAÇÃO DA PORTA ESTREITA

  • Estar bem com a própria consciência. O que adianta agradar aos outros e desagradar a nós mesmos?

  • Sacrifício da personalidade em busca do bem comum.

  • Renúncia aos prazeres passageiros.

4.3. A SUGESTÃO DO IRMÃO X

O Espírito Irmão X, no capítulo 4 de Cartas e Crônicas, dá-nos algumas idéias para um desencarne tranqüilo. Ele diz:

  • Comece a renovação de seus costumes pelo prato de cada dia. Diminua gradativamente a volúpia de comer a carne dos animais.

  • Os excitantes largamente ingeridos constituem perigosa obsessão.

  • Não se renda à tentação dos narcóticos.

  • Se tiver dinheiro, não adie as doações, caso esteja realmente inclinado a fazê-las.

  • Em família, observe cautela com testamentos.

  • Não se apegue demasiadamente aos laços consangüíneos.

  • Convença-se de que se você não experimenta simpatia por determinadas criaturas, há muita gente que suporta você com muito esforço. (Xavier, 1974)

5. CONCLUSÃO

Esforcemo-nos por vencer as más tendências. Não há outra saída. Somente assim poderemos passar pela porta estreita e criar condições para a salvação de nossa alma imortal.

6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CHEVALIER, J., GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

XAVIER, F. C. Cartas e Crônicas, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.

XAVIER, F. C. Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.